
São dez pras quatro e eu nem sei o que faço acordado. O bom senso me diz “vá dormir!”. São dez pras quatro. Eu olho no relógio e vejo que o ponteiro não se mexe mais. São dez pras quatro há muito tempo. Vejo que o dia está nascendo e o tempo parou pra mim.
São dez pras quatro e ouço as crianças indo para a escola. Ouço o barulho dos carros que começam a trafegar com maior frequência. Ouço os pássaros que já estavam cantando há algum tempo. Ouço o comentário das moças na rua e as reclamações dos ébrios que passaram a noite nos bares.
São dez pras quatro e eu ainda não aprendi. Estou esperando sei lá o quê. Talvez não quisesse saber se já passou de dez pras quatro, mas estou acostumado. As notícias vão correndo e correndo vai o meu pensamento. Uma pressa sem motivo.
São dez pras quatro e tudo o que penso é sobre o que fazer às quatro horas. Já não são mais dez pras quatro, faltam nove minutos e a minha cabeça começa a ferver. Talvez não tenha muito o que fazer, talvez tenha muito a refletir sobre o que deva fazer.
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